Composição: a alma da pintura

Composição: a alma da pintura

Não há como falar sobre pintura sem citar algumas regras de composição. Aliás, pintura é composição o tempo todo, seja uma paisagem, natureza morta ou retrato.
Quando pintamos, organizamos elementos dentro dos limites do suporte (tela), harmonizamos as cores, criamos contrastes tonais e atribuímos interesse a um ponto específico.

O problema é que quando começamos na pintura ou desenho não temos a menor ideia sobre composição

Tentamos criar relações entre as cores, contudo, sem sabermos como fazê-lo. Também, há uma tentativa de criar efeitos de luz e sombra (contrastes tonais), todavia desconhecemos completamente conceitos sobre valores.

Há muita dificuldade, também, em relacionar os objetos como um todo, deixando a pintura desorganizada sem um ponto de foco.

Isso é muito comum entre iniciantes. Eu passei por isso também.

Desmistificando a ideia de que pintura é para quem tem dom, se essas “boas práticas de composição” forem compreendidas e usadas, com certeza, o artista conseguirá um bom resultado, mesmo que seja uma pintura modesta.
Vou listar alguns procedimentos importantes para uma boa composição.

Cor: valor e intensidade.

A mistura de dois matizes dá origem a outro matiz, a grosso modo, adicionando amarelo ao azul, teremos o verde. Parece simples, mas, quando olhamos o mundo natural, os objetos, percebemos que as cores não são tão óbvias. A maioria delas pertence ao grupo das secundárias e terciárias no disco cromático e há em cada uma delas variação tonal.
As cores são um dos principais elementos da pintura, mas, como as notas em uma partitura musical, essas cores têm tonalidades diferentes. Dessa forma, simplificando, um determinado verde pode-se obter alturas diferentes de tonalidade, veja:

pintura em tela

Não basta apenas as cores em uma pintura se ela não tem variações tonais. Os tons são responsáveis pelo volume dos objetos e por criar ilusões de luz e sombra.
Ao analisar uma pintura, veja como é importante o papel dos valores.

pintura em tela

A intensidade é outra característica fundamental das cores. Assim, dividindo as cores em dois grupos, em um grupo, teremos cores de alta intensidade, são cores saturadas vibrantes, e, em outro grupo, teremos cores neutras de baixa intensidade. Essas cores pertencem ao grupo das terciárias. São cores com mais de três matizes e neutralizadas com branco.
Na pintura paisagista, a combinação desses grupos de cores resulta no efeito de profundidade. Cores neutras não competem com cores vibrantes, dessa forma, elas recuam enquanto que cores vibrantes parecem aproximar-se do observador.

Veja o efeito:

pintura em tela

 

Foco

A pintura precisa de uma área especial reservada para o motivo principal, essa área é denominada ponto focal. Ela é responsável por chamar atenção de início do observador e, depois, conduzi-lo ao restante da pintura.

Há muitos processos para isso, como a regra dos terços, formas positivas e negativas. Com o tempo e a prática, isso se torna tão intuitivo que o artista faz sem enfrentar grandes problemas.

Tudo isso é só uma fração de regras importantes para compor uma boa pintura.

 

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